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Trabalho de assistência técnica realizado pela CODHAB tem destaque na mídia.

 A  Assistência Técnica da CODHAB trabalha com ações para realizar melhorias habitacionais relacionadas às questões de habitabilidade, como o padrão mínimo de edificação, saneamento básico, qualidade de iluminação e ventilação, bem como ações para a requalificação do espaço público, projetos arquitetônicos, além dos projetos desenvolvidos para o próprio governo.

O tema foi assunto na Sérgio Magalhães,do  jornal O Globo. Confira na íntegra:

A saída do labirinto

Planejar, sanear e melhorar o ambiente existente são bons caminhos não apenas em tempos de escassez. Eles reforçam a cidadania e embasam o desenvolvimento

Para superar mais rapidamente a crise, convém que o país trate melhor as suas cidades. Pode ser um santo remédio.

Foram as cidades que sustentaram a radical transformação do Brasil desde meados do século XX. As bases do século XXI, inovação, ciência e tecnologia, cultura e conhecimento, são expressões sobretudo urbanas. No mundo, são as grandes cidades os principais núcleos do intercâmbio internacional.

Também os problemas se concentram nas cidades. E como não são tratados com atenção, multiplicam-se os danos sociais, os danos ambientais e a violência. Reduzem-se as possibilidades do desenvolvimento.

“É nosso belo dever imaginar que há um labirinto e um fio”, nos sugere Borges. Imaginar é desejo, é desígnio, é projeto. É o fio que nos liberta.

Em tempos de escassez de recursos financeiros, mais ainda se precisa de bom planejamento e bons projetos, e de reconhecer o enorme esforço realizado na produção das cidades brasileiras. É o que o Brasil não tem feito — mas carece fazer.

A falta de planejamento e de projetos é responsável pelo baixo desempenho do PAC, segundo recente estudo dos economistas Claudio Frischtak e Julia Noronha. Tais falhas “solaparam o esforço tanto de melhoria de serviços quanto de impacto sobre o PIB”. O PAC 1 (2007-2010) investiu apenas 51% do previsto e o PAC 2 (2011-2014) modestos 53%.

O pífio resultado é evidência que as facilidades concedidas às empreiteiras do PAC, encarregando-as de projetar a obra que construiriam, não serviram para produzir boas obras, mas, sim, para aumentar custos e prazos. A revogação da Contratação Integrada — RDC é uma exigência ética e de gestão.

O fio que precisamos buscar sugere que se aproveite o enorme potencial das populações urbanas brasileiras. Elas construíram autonomamente 60 milhões de domicílios. Mas não podem suprir o que é de ação coletiva: as infraestruturas e a universalização dos serviços públicos.

Pela própria experiência brasileira, podemos afirmar que ao preço de uma moradia do tipo MCMV pode-se atender de infraestrutura seis a dez moradias localizadas em bairros populares — e, portanto, saneá-los. (A Organização Mundial da Saúde estima que o tratamento ambiental evitaria 95% dos casos de doenças transmitidas pelo mosquito da dengue.)

Igualmente, a disponibilidade de pequeno-crédito para as famílias melhorarem suas casas combateria a insalubridade intramoradia e reduziria o déficit habitacional e a informalidade urbana. Ao mesmo tempo, potencializaria a indústria de materiais de construção e o emprego de mão de obra, além de estimular micro e pequenos empresários do setor distribuídos pelo país.

Para tanto, a Lei (federal) da Assistência Técnica é ótimo instrumento, ainda pouco aproveitado. Vale a pena conferir o trabalho ora em desenvolvimento na Companhia de Habitação do GDF. Há outros exemplos de jovens arquitetos que prestam serviço de assistência técnica em obras disseminadas pelo país, algumas exibidas em recente reportagem do Fantástico. Uma delas, a “casa de D. Dalva”, na periferia de São Paulo, irá compor a representação brasileira na Bienal de Arquitetura de Veneza que se inaugura proximamente.

Planejar, sanear e melhorar o ambiente existente são bons caminhos não apenas em tempos de escassez. Eles reforçam a cidadania e, ao qualificarem a cidade, embasam o desenvolvimento — a própria saída do labirinto.

“Talvez o encontremos... na mera e simples felicidade”.

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PS. Após ter escrito este artigo, soube da tragédia da Ciclovia Tim Maia. Informa-se que a empreiteira foi contratada para projetar e para construir a obra. É urgente revogar esse modelo promíscuo. Não só por preço e por prazo, também por vidas.

Sérgio Magalhães é arquiteto


Fonte: O Globo

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